Em algum momento do ano alguém vai perguntar: “E a SIPAT?”. E, como é esperado, essa pergunta será diretamente para o RH, que precisará trabalhar com a urgência que esse tipo de pedido chega.
Se você está aqui porque isso acabou de acontecer, não se preocupe. A SIPAT é mais simples do que parece, e a maior parte do trabalho, felizmente, é decisão, não execução.
Abaixo, explicaremos em cada detalhe o que é a SIPAT, como organizar sua empresa para atendê-la e as melhores execuções para facilitar esse trabalho.
Siga conosco e confira!
Primeiro, o que é SIPAT
SIPAT é a sigla de Semana Interna de Prevenção de Acidentes do Trabalho. Na prática, é uma semana por ano em que a empresa para um pouco e fala de segurança e saúde com quem trabalha ali.
A base está na NR-5, a norma da CIPA. No item 5.3.1, alínea “i”, está escrito que cabe à comissão “promover, anualmente, em conjunto com o SESMT, onde houver, a Semana Interna de Prevenção de Acidentes do Trabalho”.
Preste bem atenção nestas duas palavras: anualmente e promover. É todo ano, e a responsabilidade formal é da CIPA, não do profissional de RH.
E repare em uma terceira coisa, que mudou e quase ninguém percebeu: a CIPA hoje se chama Comissão Interna de Prevenção de Acidentes e de Assédio. O nome mudou em 2022, e isso tem consequência direta na programação, como você vai ver mais adiante.
A sua empresa é obrigada?
A obrigação de fazer SIPAT acompanha a obrigação de ter CIPA.
A NR-5 define quem precisa constituir a comissão a partir do Quadro I, que cruza o número de empregados com o grau de risco da atividade. Empresa pequena de risco baixo pode não precisar de CIPA constituída, e aí designa um representante.
Então a resposta honesta é: depende do seu enquadramento, e quem sabe isso é a área técnica de segurança do trabalho ou a consultoria que cuida do seu PGR.
Dito isso, vale um comentário adicional: mesmo empresa dispensada costuma fazer alguma versão da semana, porque é a única ocasião do ano em que o assunto saúde entra na pauta de todo mundo ao mesmo tempo.
Quem organiza de verdade
No papel, CIPA e SESMT. Na vida real, a CIPA é formada por profissionais de áreas comuns – ou seja, atarefados, sendo que o SESMT cuida da parte técnica, e a parte de produzir, comunicar e fazer acontecer, eventualmente, cai no colo do RH.
E não entenda isso como uma injustiça, pois é a divisão natural de competência. Quem sabe convocar, comunicar e organizar agenda é você. Mas vale deixar claro desde a primeira reunião quem responde pelo quê, porque SIPAT sem dono definido vira SIPAT montada em três dias, às pressas e repleta de remendos.
Para facilitar, esta sugestão de divisão costuma funcionar: a CIPA escolhe os temas e abre a semana, o SESMT entra nos conteúdos técnicos, e o RH cuida de programação, comunicação, material e registro.
Quando fazer e quanto tempo dura
A norma não define mês nem duração. Na prática, o padrão é cinco dias, de segunda a sexta, com uma a duas horas por dia.
Sobre o mês, três critérios ajudam a escolher:
Evite pico de produção. SIPAT em fechamento de safra ou em Black Friday não engaja ninguém.
Aproveite o calendário de saúde. Encaixar perto de setembro, outubro ou novembro faz a semana conversar com campanhas que já vão acontecer, e você aproveita material duas vezes.
Fuja de férias coletivas e feriadões. Parece óbvio e acontece todo ano.
Um detalhe que vai poupar sua dor de cabeça é marcar a data com seis a oito semanas de antecedência. Palestrante bom tem agenda, e a boa vontade da diretoria é maior quando você não aparece pedindo sala na véspera.
Como montar a programação do SIPAT
1. Escolha um fio condutor
Cinco dias de assuntos aleatórios cansam. Cinco dias sobre um tema com recortes diferentes grudam.
O fio condutor pode ser algo como “saúde que começa em casa”, “o que ninguém te contou sobre o seu corpo no trabalho”, “cuidar de quem cuida”. Ou seja, não precisa ser genial. Precisa dar unidade.
2. Monte o esqueleto de cinco dias
Um modelo que funciona na maioria das empresas:
- Segunda: abertura com a CIPA, apresentação da semana e um tema leve de entrada
- Terça: segurança operacional, com o conteúdo técnico do SESMT
- Quarta: saúde mental, que costuma ser o dia de maior presença
- Quinta: saúde preventiva, com prevenção ao câncer e vacinação
- Sexta: encerramento, com atividade prática, sorteio e feedback
3. Resolva o problema do turno antes
Se a empresa tem turnos, metade do time não vai estar presente em nenhum horário que você escolher. É o maior furo das SIPATs.
Três saídas: repetir a sessão em dois horários, gravar e disponibilizar, ou usar formato assíncrono para parte do conteúdo. Vídeo curto resolve mais do que palestra longa, e funciona em qualquer turno.
4. Combine quem fala
Palestrante externo, em geral, tem custos mais altos. Mas, se você reparar bem, tem gente de graça e melhor: o médico do trabalho, a enfermeira da empresa, alguém da operadora do plano de saúde, um profissional do posto de saúde da região, um colaborador com história própria (com autorização dele, sempre).
5. Prepare o material antes
Cartaz, convite, lembrete, post interno, apresentação, certificado. Essa é a parte que consome mais tempo e a que todo mundo subestima.
Se você está começando do zero, dá para ver como as peças ficam prontas nos exemplos de campanhas que a gente deixa abertos.

Os temas que funcionam em 2026
Assédio, que agora é obrigatório
Desde 2022 a CIPA passou a se chamar Comissão Interna de Prevenção de Acidentes e de Assédio, e a NR-5 incluiu, entre as atribuições, incluir temas de prevenção e combate ao assédio sexual e a outras formas de violência no trabalho nas atividades da comissão.
Ou seja: isso não é tema opcional de SIPAT moderna. É conteúdo previsto. Se a sua semana não tocar no assunto, está incompleta.
Saúde mental e riscos psicossociais
A Portaria 1.419 colocou os fatores psicossociais dentro do gerenciamento de riscos ocupacionais, e a fiscalização com possibilidade de autuação começou em 26 de maio de 2026. É o tema que mais atrai público na semana e o que mais conversa com obrigação nova.
Vale fazer direito: falar de organização do trabalho, carga, prazo e suporte, e não só de meditação. O detalhamento está no artigo sobre riscos psicossociais e no de o que a NR-1 exige.
Um dado para abrir a conversa: levantamento da ANAMT com dados do INSS mostra afastamentos por transtornos mentais saindo de 219.850 em 2023 para 393.670 até novembro de 2025.
Prevenção ao câncer e vacinação
A Lei 15.377, de 2026, obriga a empresa a comunicar sobre vacinação, HPV e os cânceres de mama, colo do útero e próstata. Encaixar isso na SIPAT mata dois coelhos: você cumpre parte da lei e ainda tem registro com data e lista de presença.
O calendário de vacinação do Ministério da Saúde resolve o conteúdo da parte de imunização sem você precisar pesquisar nada.
Segurança operacional clássica
Não suma com isso. EPI, ergonomia, prevenção de quedas, direção defensiva e primeiros socorros continuam sendo o coração da semana, e são o que a área técnica domina.
Saúde prática do dia a dia
Sono, alimentação, uso consciente do plano de saúde, finanças pessoais. São os temas que as pessoas comentam no corredor depois, e os que mais geram presença voluntária.
Os erros da SIPAT
Palestra de uma hora no auditório. Atenção de adulto em pé ou sentado em cadeira dura não passa de vinte minutos. Dois blocos curtos rendem mais do que um longo.
Programação só no horário administrativo. Já falado acima e repetido porque é o erro número um.
Brinde no lugar de conteúdo. Caneta personalizada não ensina ninguém a identificar risco. Se tiver verba, prefira gastar em material bom e numa ação prática.
Tema escolhido por quem não vai assistir. Pergunte ao time o que eles querem ouvir. Dois minutos de enquete mudam a semana inteira.
Nenhum registro. O próximo tópico explica por que isso dói.
O que registrar na SIPAT, e por quê
Faça o checklist: lista de presença por dia, fotos, programação, material distribuído, nome e conteúdo de cada palestra.
Isso serve para três coisas: comprovar que a CIPA cumpriu a atribuição da NR-5, alimentar a evidência de informação e capacitação que a NR-1 vigente cobra, e servir de prova de comunicação dos temas de saúde que a Lei 15.377 exige.
Em uma mesma semana você consegue atender três obrigações. É por isso que vale fazer a SIPAT bem feita ao invés de cumprir tabela.
Uma semana para a SIPAT do ano inteiro, se você deixar
Repara no que a SIPAT começou como semana de prevenção de acidentes, ganhou o tema do assédio em 2022, e desde 2026 convive com duas obrigações novas: os riscos psicossociais da NR-1 e os cinco temas de prevenção da Lei 15.377.
Isso é bom e é ruim ao mesmo tempo. Bom porque uma semana bem montada produz evidência para três frentes de uma vez. Ruim porque transformou o que era um evento em um pedaço de um calendário que precisa existir o ano todo.
A verdade incômoda é que SIPAT não substitui constância. Cinco dias de conteúdo em novembro não cobrem onze meses de silêncio, e a fiscalização que chegou em 2026 olha justamente para o processo contínuo, não para o evento.
Se o seu próximo passo é entender o que a NR-1 e a NR-17 exigem, o que serve de prova em cada uma e o que perguntar na reunião com a consultoria, a gente reuniu tudo isso em um guia gratuito.
Basta acessar, baixar e ter um passo a passo completo para garantir tranquilidade total – no seu setor e na lei.
Perguntas frequentes
O que significa SIPAT?
Semana Interna de Prevenção de Acidentes do Trabalho. É um evento anual de conscientização sobre segurança e saúde no trabalho, previsto na NR-5 entre as atribuições da CIPA.
A SIPAT é obrigatória?
Para as empresas obrigadas a constituir CIPA, sim. A NR-5, no item 5.3.1, alínea “i”, determina que a comissão promova a SIPAT anualmente, em conjunto com o SESMT onde houver. A obrigação de ter CIPA depende do número de empregados e do grau de risco da atividade, conforme o Quadro I da norma.
Quantos dias dura a SIPAT?
A norma não define duração. Na prática, o formato mais comum é de cinco dias, com uma a duas horas de atividade por dia, mas a empresa pode adaptar conforme a realidade da operação.
Quem organiza a SIPAT?
A responsabilidade formal é da CIPA, em conjunto com o SESMT quando existir. Na prática, o RH costuma assumir a programação, a comunicação, a produção de material e o registro.
Quais temas podem entrar na SIPAT?
Segurança operacional, ergonomia, primeiros socorros, saúde mental e riscos psicossociais, prevenção ao câncer, vacinação, uso do plano de saúde e qualidade de vida. Prevenção e combate ao assédio passou a constar entre as atribuições da CIPA desde 2022, e deve estar na programação.
A SIPAT precisa ser presencial?
A norma não exige formato presencial. Em empresas com turnos, trabalho remoto ou unidades distribuídas, formatos gravados e assíncronos costumam alcançar mais gente do que a palestra única no auditório.
Base normativa citada no texto
- NR-5, Comissão Interna de Prevenção de Acidentes e de Assédio (CIPA), item 5.3.1, MTE
- NR-1 vigente e Portaria MTE nº 1.419/2024, MTE
- Lei nº 15.377, de 2 de abril de 2026 (art. 169-A da CLT), Planalto
- ANAMT, levantamento com dados do INSS sobre afastamentos entre 2023 e 2025
- Calendário Nacional de Vacinação, Ministério da Saúde


