Dezembro é sempre um mês bem complicado para falar de qualquer coisa dentro da empresa. Metade do time já saiu de férias, a outra metade está fechando o ano, e ninguém tem paciência para mais um comunicado.

Mesmo assim, o Dezembro Laranja é uma das campanhas mais fáceis de acertar, afinal, o assunto é sol e dezembro é o mês de mais sol. É assim que a conversa flui: prevenindo antes sobre os riscos do sol para o time que está prestes a passar duas semanas na praia.

Quer saber como criar uma campanha de Dezembro Laranja que engaja de verdade? Siga conosco e confira as dicas!

Começando pelo que é mentira

O Dezembro Laranja não está coberto pela Lei 15.377. A lei criou o art. 169-A da CLT e nomeou cinco assuntos principais que devem ser sempre abordados pelo seu RH: vacinação, HPV, câncer de mama, de colo do útero e de próstata. Câncer de pele não está na lista, e o artigo sobre a Lei 15.377 mostra cada detalhe desse texto.

E a gente alerta isso por um motivo prático: se alguém da sua empresa, ou algum fornecedor, disser que a campanha de dezembro “cumpre a lei”, está errado. E, no caso de uma fiscalização, pode ter certeza: errar a norma na frente de quem conhece o assunto, pode sair mais caro.

Porém, não é motivo ainda para você desistir desse comunicado. Existe uma obrigação de verdade por trás desse tema, e isso aparece de forma bem mais antiga.

Para quem trabalha a céu aberto, isso é risco ocupacional

A NR-21 vigente trata especificamente de trabalhos a céu aberto. No item 21.1, ela torna obrigatória a existência de abrigos, ainda que rústicos, contra as intempéries. O item 21.2 exige medidas especiais de proteção contra a insolação excessiva, o calor, o frio, a umidade e os ventos.

A norma é de 1978 e tem poucas linhas, o que explica por que quase ninguém a cita. Mas “insolação excessiva” está escrito ali, e vale para obra, campo, logística, manutenção externa, entrega, portaria descoberta e qualquer função que passe o dia debaixo do sol.

Além disso, em 2025, o Ministério do Trabalho abriu consulta pública sobre uma nova redação da NR-21, entre 11 de junho e 28 de julho, com 338 contribuições recebidas. O texto proposto é bem mais específico: cobertura em posto de trabalho estacionário, fornecimento de protetor solar com fator e periodicidade definidos no PCMSO, óculos de proteção solar, chapéu tipo legionário e vestimenta com proteção UV.

Atenção ao verbo: é proposta. Ainda passa por análise e pelo grupo tripartite antes de virar norma.

O que já vale, independentemente disso, é a lógica da NR-1 vigente: radiação solar é agente físico, e exposição habitual entra no inventário de riscos. Se a sua empresa tem gente trabalhando sob sol direto e a palavra “solar” não aparece no documento, há uma conversa a ter com a área técnica. O artigo sobre o GRO explica como esse mapeamento funciona.

Os números que sustentam a conversa

Dois dados resolvem qualquer reunião sobre o assunto.

O primeiro, do INCA: o câncer de pele não melanoma é o mais frequente do Brasil e responde por cerca de 30% de todos os tumores malignos registrados no país. Não é um câncer raro, pelo contrário: é o mais comum que existe por aqui.

O segundo dado mostra o tamanho disso. Na Estimativa 2026-2028, o INCA projeta 781 mil casos novos de câncer por ano no Brasil, sendo 518 mil quando se excluem os tumores de pele não melanoma. A diferença entre os dois números é da ordem de 260 mil casos por ano, e é justamente o tipo de câncer de que trata o Dezembro Laranja.

A contrapartida também é verdadeira e precisa entrar na peça: detectado cedo, tem altos índices de cura. É uma das poucas campanhas do ano em que a mensagem “olhe para isso agora” tem retorno direto e rápido.

A campanha tem dois públicos, e quase ninguém faz os dois

Esse é o erro que separa a campanha genérica da campanha útil.

Quem trabalha sob sol direto

Para esse grupo, não é dica de bem-estar, é proteção contra exposição ocupacional. E aí o conteúdo muda de tom.

O que o conteúdo precisa dizer: onde fica o abrigo e o ponto de sombra na operação, qual protetor a empresa fornece e com que frequência reaplicar, por que o boné comum protege menos que o tipo legionário, o que a camisa de manga comprida faz pelo antebraço, e o que fazer diante de sinal de insolação.

O que evitar: tratar o assunto como escolha pessoal. Quem fica oito horas no sol não está tomando uma decisão de estilo de vida.

Quem trabalha em escritório

Para esse grupo, a abordagem precisa ser outra, e é onde o Dezembro Laranja ganha do calendário inteiro.

A exposição aqui é o trajeto, a janela ao lado da mesa, o almoço fora, o fim de semana e, principalmente, as férias que começam daqui a duas semanas. É a única campanha do ano em que a ação acontece depois do expediente, e a peça pode assumir isso.

A Sociedade Brasileira de Dermatologia criou a campanha em 2014, com apoio do CFM, e desde então repete a mesma recomendação, que é direta: evitar o sol entre 10h e 15h, usar chapéu, camiseta e óculos escuros, protetor solar com FPS 30 ou maior todos os dias e não só no lazer, e consulta médica ao menos uma vez por ano.

Como criar uma campanha de Dezembro Laranja

Cartaz A4 no vestiário, no refeitório e perto do ponto. É o único formato que alcança a operação, e é onde cabe a informação local: onde pegar protetor, onde fica a sombra.

Vídeo curto para grupo interno e TV do refeitório. Funciona melhor com a regra da sombra, que é visual: se a sua sombra está menor que você, o sol está no pior horário.

E-mail com data e destinatário, que é a peça que vira registro. Esse é o lugar do conteúdo mais longo, incluindo o autoexame e a orientação de procurar o dermatologista.

Post no canal interno na semana que antecede o recesso, escrevendo especificamente sobre as atividades ao ar livre, tratando o período como um cuidado adicional nas férias.

Dá para ver como cada peça fica pronta nos exemplos de campanhas.

dezembro laranja na empresa

O autoexame, explicado sem assustar

Vale incluir, porque é a parte que a pessoa leva para casa. E vale fazer sem transformar a peça num manual médico.

A regra do ABCDE é a mais usada para avaliar pintas: assimetria, bordas irregulares, cor variada, diâmetro acima de 6 milímetros e evolução, ou seja, mudança ao longo do tempo. Além dela, qualquer ferida que não cicatriza em algumas semanas merece consulta.

Dois cuidados na redação da campanha de Dezembro Laranja: a empresa não diagnostica ninguém, então a peça orienta a procurar avaliação, não conclui nada. E não vale usar foto de lesão real em cartaz de refeitório: afasta mais do que informa, e você tem dez segundos de atenção, não dez minutos.

Quando publicar, e por que a data importa mais aqui

Uma campanha dezembro laranja publicada no dia 20 chega a um escritório vazio. Vale puxar o calendário para trás.

A primeira semana do mês é a melhor janela para o conteúdo principal, porque o time ainda está inteiro. A segunda semana funciona para o ângulo das férias, que é quando a mensagem fica mais útil. Depois do dia 15, só reforço curto no canal interno.

Na operação, a lógica se inverte. Quem trabalha a céu aberto normalmente não sai em recesso, e janeiro e fevereiro são os meses de sol mais forte. Para esse público, dezembro é a abertura do assunto, não o fim dele.

E, como em toda campanha, o que transforma a ação em evidência é o registro: comunicado com data, lista de presença do diálogo de segurança e a peça publicada, guardados na mesma pasta.

O que não entra na campanha de Dezembro Laranja

Promessa de resultado. “Nossa campanha reduz casos de câncer de pele” não se sustenta, e expõe quem assina.

Distribuir protetor solar como brinde de fim de ano. Para quem trabalha a céu aberto, protetor é medida de proteção, com fornecimento contínuo, não lembrancinha de dezembro. Transformar equipamento em mimo é o jeito mais rápido de desqualificar a própria pauta.

Campanha só para o escritório. Se a operação está no sol e a peça só circula por e-mail, a campanha falou com quem menos precisava dela.

Dezembro é o mês em que a campanha continua funcionando depois do expediente

Outubro Rosa e Novembro Azul pedem uma ação, o exame, que depende de agenda, de rede e de coragem. O Dezembro Laranja pede chapéu, sombra e protetor, coisas que a pessoa decide sozinha, hoje, e que valem igual no trabalho e na praia.

Some a isso o que vimos aqui: é o câncer mais comum do país, tem alta chance de cura quando visto cedo, e para parte do seu time é exposição ocupacional com norma por trás, não conselho de verão. É bastante coisa para uma campanha que a maioria das empresas simplesmente pula.

Montar quatro peças na última semana do ano, no entanto, é o tipo de tarefa que ninguém quer. Um material pronto já vai resolver a produção, e os planos disponíveis cobrem os doze meses do calendário, incluindo os vizinhos de Outubro Rosa e Novembro Azul.

E se antes disso a dúvida é o que exatamente a NR-1 e a NR-17 exigem, e o que serve de prova em cada caso, a gente reuniu isso em um guia gratuito. Confira e baixe agora mesmo!

Base normativa citada no texto

  • NR-21, Trabalhos a Céu Aberto, itens 21.1 e 21.2, MTE
  • Consulta pública da proposta de nova redação da NR-21, de 11/06/2025 a 28/07/2025, 338 contribuições, MTE
  • NR-1 vigente, gerenciamento de riscos ocupacionais, MTE
  • INCA, câncer de pele não melanoma, cerca de 30% dos tumores malignos registrados no Brasil
  • INCA, Estimativa 2026-2028: 781 mil casos novos por ano, 518 mil excluindo pele não melanoma
  • Sociedade Brasileira de Dermatologia e CFM, campanha Dezembro Laranja desde 2014
  • Lei nº 15.377, de 2 de abril de 2026 (art. 169-A da CLT), Planalto. Não inclui câncer de pele.
Eduardo Prado

Profissional de comunicação e marketing com mais de 10 anos de atuação no mercado de saúde. Redator para corretoras, como D'Or Consultoria, Bentec e Zetta Heathtech.